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Ben Hur: O predestinado

  • Antônia Veloso e Larissa Antunes
  • 26 de mar.
  • 4 min de leitura

O cineasta, que terá curta-metragem exibido em Universidade dos EUA, conta sua trajetória de ascensão no cinema brasileiro.


#ParaTodosVerem: Na foto, podemos observar Ben Hur sentado à mesa, utilizando uma blusa azul de time, uma corrente e está mexendo nos cabelos. Ao fundo, podemos observar imagens de Ouro Preto.
Ben Hur pensativo durante a entrevista | Foto: Antônia Veloso

Dirigido por William Wyler e protagonizado por Charlton Heston, o clássico do cinema “Ben-Hur” foi para as telas em 1959 e conquistou onze estatuetas no Oscar de 1960. Batizado em homenagem ao protagonista, Ben Hur Nogueira, de 23 anos, é belo-horizontino e estudante de Ciência da Computação, curso que começou ainda em Belo Horizonte, numa universidade particular, mas que hoje cursa na Universidade Federal de Ouro Preto. Assim como o Ben-Hur das telonas, ele se diz predestinado ao universo cinematográfico.


Apesar de já conhecermos Ben Hur por meio de amigos em comum, quando marcamos a entrevista, pedimos para ele se despir do seu trabalho — por mais difícil que fosse. Queríamos entender quem era o cineasta por trás das produções.


Depois de certa indecisão de onde seria a entrevista, Ben Hur nos encontrou em um restaurante no centro de Ouro Preto. Muito simpático e sorridente, ele nos cumprimentou com um abraço. Ao sentarmos à mesa para comer, começamos a conversar, e tudo o que ele compartilhava era tão interessante que, pelo rumo que a conversa tomava, nem percebemos o tempo passar. Nem mesmo tivemos tempo de olhar as perguntas que havíamos preparado para a entrevista. 


Ben Hur nos encaixou na sua apertada agenda. Para a maioria das pessoas, fazer tantas coisas ao mesmo tempo é quase impossível. Atualmente, ele está no sétimo período do curso de graduação, trabalha como modelo para marcas de roupa com as quais tem parceria e escreve críticas de cinema para a rede de comunicação Mídia Ninja. Além disso, foi um dos idealizadores da Mostra de Cinema Preto Periférico de Ouro Preto (MCPP-MG), que teve sua primeira edição entre 11 e 14 de dezembro de 2023, no Cine Vila Rica, e uma segunda edição entre os dias 21 e 26 de outubro do ano seguinte. 

A iniciativa tem como objetivo fortalecer narrativas audiovisuais produzidas nas periferias brasileiras, abrindo portas para essas produções.


Na segunda edição da Mostra de Cinema Preto e Periférico, Ben Hur criou o Prêmio Marku Ribas, inspirado em seu grande ídolo, com o intuito de homenagear o artista e valorizar outros realizadores que buscam a multi-artisticidade. 


Marku Ribas, nascido em Pirapora em 1947, foi uma figura essencial da música brasileira entre as décadas de 1960 e 1980, sempre transitando por diferentes ritmos e estilos. Negro e militante contra o racismo, carregou estigmas ao longo da vida e enfrentou a repressão da ditadura militar, sendo exilado nos anos 1970. Mais do que um artista versátil, foi um ativista político incansável e uma voz potente na luta antirracista. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso com a arte e a resistência, história com a qual Ben Hur sempre se identificou e se inspirou.


Pandeminas, o primeiro curta produzido por Ben Hur, ganhou reconhecimento em mostras internacionais, e seu maior sonho — ver o filme exibido em Belo Horizonte — se tornou realidade. Ben Hur foi convidado para a exibição do Pandeminas na Universidade de Long Island, em Nova York, que acontecerá no dia 27 de março de 2025. Hoje, ele não tem dúvidas de que o cinema é seu destino. Mais do que isso, vê seu sucesso como conquistas coletivas e quer inspirar novas gerações, abrindo portas para que o cinema periférico ocupe cada vez mais esse espaço de protagonismo.


Ben Hur, apesar de todo o sucesso por seu reconhecimento e o de seu filme, se mantém muito humilde e doce. Com um respeito enorme pela trajetória de seus pais, o jovem fala de sua mãe com um brilho de admiração no olhar. Foi ela quem começou tudo ao lhe presentear com um livro sobre todos os vencedores do Oscar, quando Ben Hur tinha 13 anos. Desde então ele começou a estudar e se apaixonar pelo cinema. 


Enquanto mexia nos cabelos, ele começou a nos contar sobre o dia que transformou sua vida. No período da pandemia, a manhã começou como qualquer outra para Ben Hur. Cumprindo sua rotina, ele foi surpreendido pelos pais com uma câmera. Sem experiência em fotografia, ele decidiu, por puro desejo de criar, começar a registrar imagens do Morro das Pedras, a comunidade de Belo Horizonte onde cresceu.


#ParaTodosVerem:Ben Hur com 13 anos ao lado de um projetor em 2015.
Desde os 13 anos, Ben Hur demonstrava interesse pela cinematografia. | Foto: Acervo pessoal Ben-Hur Nogueira

Foi quando teve um estalo! Ben Hur começou a registar, em vídeo, os desafios enfrentados por sua comunidade durante aquele período conturbado. Mostrar os impactos do isolamento e a luta de seus pais, Juthay Nogueira e Márcio dos Santos, ativistas de direitos humanos, em tentar ajudar pessoas necessitadas na comunidade, através do Projeto Romper, de distribuição de alimentos. Ben Hur estava orgulhoso de seu trabalho, mas não imaginava a repercussão que o filme iria ter. 


Um amigo lhe disse certa vez: “Você está predestinado a trabalhar com cinema.” Ben Hur riu, lembrando-se de todos os trabalhos que fazia para pagar a faculdade. 

O tempo mostrou que a previsão estava certa. Seu segundo filme, Arrabalde Corsário foi lançado na Mostra do Filme Independente de Ouro Preto, no Cine Vila Rica, e o jovem cineasta já está no processo de produção do seu terceiro filme - e nós tivemos a sorte de assistir a um trechinho. Assim como todos nós, admiradores de seu trabalho, Ben Hur se mostra empolgado para seus próximos capítulos como cineasta. 




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