Ensaio | LUZ QUE HABITA O TEMPO
- Bárbara Aleixo
- 13 de mar.
- 2 min de leitura
A luz sempre simbolizou progresso. No Brasil, os lampiões a gás chegaram em 1851 com o Visconde de Mauá, que iniciou a iluminação pública. Mariana, fundada em 1696, já tinha 155 anos quando essa tecnologia chegou no país. Mesmo preservando seu patrimônio colonial, a cidade adotou a luz elétrica apenas em 1918, através da Companhia Ouro Preto Gold Mines of Brazil. Apesar desse boom de modernização, Mariana manteve-se fiel às suas raízes. O Centro Histórico, com seus casarões antigos e lampiões apagados, escondidos sob os brilhos dos elétricos, segue como um lembrete vivo da história que formou a cidade.
Nos becos que guardam séculos de memórias e nos lares onde a tradição ainda se equilibra com a modernidade, o lampião é testemunha silenciosa da vida que pulsa na Região dos Inconfidentes. Em uma área marcada pela importância histórica e pelas feridas deixadas pelas grandes mineradoras, o contraste entre o antigo e o novo é um lembrete constante da resistência de Mariana.
Este ensaio busca capturar essa luz que persiste. Não apenas a luz física, agora elétrica, mas a luz humana, refletida nos rostos dos marianenses. Cada chama acesa carrega uma história. O lampião é mais do que um objeto: é um elo entre passado e presente, um símbolo de resistência e identidade.
Não se trata apenas de registrar imagens, mas de contar histórias. Cada fotografia é uma faísca desse universo de tradição e vida. No reflexo das lentes, se faz presente a luz invisível que habita cada olhar, cada gesto e cada canto dessa cidade que carrega o brilho da memória de si mesma.
E até na arte o lampião se faz presente. Tão oculto e, ao mesmo tempo, tão visível, que fica difícil dizer se é sombra ou luz.
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