Havia Um Moinho em Paracatu de Cima
- Alice Oliveira
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
Atualizado: 20 de mar.
Um perfil de Vicente Celestino, produtor rural de Paracatu de Cima
Em novembro de 2015, ocorreu em Mariana o rompimento da barragem de rejeitos de mineração conhecida como Fundão, de responsabilidade das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. A liberação de mais de 60 milhões de metros cúbicos de lama tóxica culminou no maior desastre ambiental do Brasil,, devastando comunidades, famílias, vidas e toda a bacia do Rio Doce. A avalanche de rejeitos percorreu um trajeto de aproximadamente 600 km, assolando mais de 400 municípios em Minas Gerais e Espírito Santo, até desaguar no Oceano Atlântico.
Já era noite quando a lama chegou em Paracatu de Cima, subdistrito de Mariana, localizado há 44 km de Bento Rodrigues, onde a barragem rompeu. A comunidade era formada por fazendas e sítios dispersos e a população tirava seu sustento principalmente da produção agrícola e pecuária. Com o rompimento, as pessoas que ali viviam tiveram suas vidas transformadas. Vicente Celestino foi uma delas.
Produtor rural de Paracatu de Cima, Vicente conta um pouco de sua história nessa entrevista. Apesar dos rejeitos não terem chegado em toda sua propriedade, sua produção foi diretamente afetada e hoje, dez anos após o rompimento, ele afirma que não é possível produzir como antes. Além disso, lida com a falta de seu moinho, que foi destruído pela lama, e a saudade da comunidade, que se afastou. Vicente também fala sobre Repactuação, indenização, família e saúde, e mostra que as sementes da esperança por justiça e reparação ainda crescem nas terras que foram regadas pela lama.
Confira na íntegra pelo Spotify do Lampião:
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