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Holofote | A locomotiva do progresso

  • Sophia Helena Ribeiro
  • há 16 horas
  • 4 min de leitura

Nesta 45ª edição do Jornal Laboratório Lampião amplificamos e moldamos ainda mais os processos criados nas edições anteriores, especialmente durante a 44ª edição. O desafio do holofote deste semestre é frisar erros e acertos da redação, trazendo questionamentos, apontando falhas e sugerindo melhorias para um jornalismo mais preciso e transparente. Essa interlocução é essencial para mantermos a credibilidade e o compromisso com a informação de qualidade.


Um dos pontos mais discutidos foi a falta de contextualização e de apuração em matérias. Relato que o processo de pesquisa teve que ser retomado totalmente durante toda a produção do jornal, e que muitos dos redatores tiveram dificuldade em se conectar realmente com o cerne da experiência pedagógica do laboratório. Tivemos problemas com o descompromisso de alguns integrantes, com a falta de imagens autorais e com o uso de imagens feitas por Inteligência Artificial. Algumas matérias foram derrubadas por desrespeito aos prazos, baixa qualidade e, mesmo com alguns dos integrantes tendo a chance de refazê-las, muitos escolheram não se dar ao trabalho. Irei aprofundar cada uma das observações, pois acredito que haja uma necessidade de cobertura ativista, principalmente no contexto da região dos Inconfidentes. Ou seja, uma perspectiva jornalística que não apenas informe, mas também esclareça e situe os fatos dentro de um panorama mais amplo, de forma a conscientizar a população.


Uma de minhas preocupações é o uso de imagens geradas por IA, que continua levantando discussões éticas, ambientais e de direitos autorais. Eticamente, há o risco de manipulação e desinformação (como as deepfakes) e a perpetuação de estereótipos devido a vieses nos dados. Do ponto de vista ambiental, o treinamento de IA consome grandes quantidades de energia, resultando em uma significativa “pegada de carbono”: um indicador ambiental da quantidade de gases de efeito estufa emitida por uma empresa, instituição, ou mesmo por uma pessoa. A reportagem “A IA gera um problema ambiental: veja o que o mundo pode fazer a respeito”, produzida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), traz algumas considerações a respeito. Além disso, a questão da autoria e do valor da arte criada por máquinas também é discutida, já que os programas tendem a se valer de produções já existentes e a se alimentar desse conteúdo para criar uma amálgama a partir disso, o que tensiona a ideia de direitos autorais, surgindo dúvidas, inclusive, sobre a propriedade das imagens geradas. Isso ocorre, especialmente, quando a IA é treinada com dados protegidos por esses direitos, podendo causar violação inadvertida.  Esses desafios destacam a necessidade urgente de regulamentações claras sobre o uso ético e legal da IA, e levantam questões sobre o uso adequado dessa tecnologia.


Outro ponto de debate foi a criação de pautas que se assemelhavam a assessoria ou propaganda, que foram levantadas sob o disfarce de cobertura jornalística. Sabemos que a objetividade absoluta é um desafio, mas é nosso dever garantir que diferentes perspectivas sejam apresentadas sem um viés comercial, já que o Lampião visa a pluralidade de vozes. É imprescindível que a redação se atente a ouvir uma pluralidade de vozes envolvidas nos temas abordados, garantindo um jornalismo equilibrado, o que não foi respeitado em algumas das coberturas de extensão, em que alguns redatores não se engajaram ou buscaram se conectar e entender a forma como as violências que acometem àqueles que foram atingidos pelo desastre-crime não os define, mas afeta suas vidas diretamente.


Outro apontamento seria a ocorrência de erros gramaticais, de checagem de fatos e inconsistências em algumas matérias, o fora corrigido na maior parte das vezes. Esse processo é fundamental para manter a confiança do público, e também como exercício para a formação dos futuros jornalistas. Nenhum veículo de comunicação está imune a falhas, mas a forma como lidamos com elas é o que define nossa credibilidade.


Vivemos um momento em que a confiança no jornalismo precisa ser constantemente reafirmada. O diálogo com os leitores é um pilar essencial para aprimorar nosso trabalho. E espero que as próximas edições ampliem a comunicação com o público, para entender e captar melhor esses feedbacks que são tão essenciais para o fazer jornalístico. Precisamos acompanhar atentamente as críticas e sugestões, pois acredito que só assim podemos evoluir e oferecer um jornalismo mais responsável e transparente.


Quando penso sobre o foco hiperlocal da produção, assim como a editora de Holofote da última edição fez, penso que é a parte que o Lampião mais brilha. Tivemos coberturas não só de Mariana e Ouro Preto, mas também da Região dos Inconfidentes como um todo, e a contribuição de correspondentes da região de Itabirito também acrescenta muito à nossa discussão. Durante os cinco ciclos de criação e apuração realizados no Jornal Laboratório Lampião, vimos o desempenho notável de parte dos repórteres em criar conteúdos emblemáticos para a população, principalmente durante o carnaval, ao conversar sobre temáticas populares, como o Bloco Vermelho i Branco, uma de nossas produções mais procuradas e veiculadas no site. 


Por fim, concordo com a editora anterior, quando ela pontua que ainda pecamos nas palavras que escolhemos, e como escrevemos esses conteúdos, principalmente quando pensamos qual destino terá nossa escrita. É emocionante imaginar o futuro do jornal, mesmo que ainda exista espaço para aprimoramentos. Acredito que a equipe, no geral, esteve bem encaminhada, com um suporte constante e engajamento com a comunidade, assim como desenvolveu um material de notável qualidade e que encerrou com primor a 45° edição. 


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