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Recomendação | Levante Popular da Juventude: A Luta por um Futuro Justo

  • Niara Xavier
  • 11 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Juventude se organiza e fortalece a luta por direitos e transformação social em Mariana.

#ParaTodosVerem: A imagem mostra cinco pessoas próximas em uma varanda. Ao fundo da imagem mostra uma parte da cidade de Mariana - MG, com colinas e casas. Três dessas pessoas usam camisetas pretas com a estampa do movimento do Levante Popular da Juventude e as outras duas usam vestidos coloridos.
Jovens do Levante Popular da Juventude discutem estratégias para mobilização social em um encontro recente na cidade | Foto: Acervo pessoal Levante de Mariana

O Levante Popular da Juventude é um movimento social brasileiro que surgiu com o objetivo de organizar a juventude na luta por um Projeto Popular para o Brasil. Teve sua origem no ano de 2006, no Rio Grande do Sul, e desde então, expandiu-se por todo o país. O Levante atua como um veículo que visa defender a democracia, os direitos da juventude e da classe trabalhadora, propondo-se a lutar contra repressões e a defender a educação e a construção de uma sociedade justa e igualitária. Sua atuação está intrinsecamente ligada à história de resistência popular no Brasil, conectando-se a outros movimentos sociais e fortalecendo a organização juvenil no território nacional.


De acordo com Alexandre Pinto, um dos militantes em Mariana, o movimento tem focado em retomar suas atividades após o período de isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19. O Levante atua em três frentes para envolver a juventude na luta por direitos e transformação social: a frente estudantil, que tem suas ações concentradas nas universidades; a frente secundarista, que opera nas escolas e pré-vestibulares; e a frente territorial, que foca nos bairros periféricos. Essa estratégia diversificada tem ampliado o alcance do movimento.


Como muitos movimentos sociais, o Levante enfrenta uma crônica falta de estrutura e recursos. Alexandre explica: “Somos um movimento que não tem ligação com partidos eleitorais e não recebe financiamento de empresas. A luta que fazemos é com nossas próprias mãos e mentes.” Mesmo diante da escassez de recursos, o movimento se mantém organizado. Ele observa: “Seria de grande ajuda termos uma grana própria para ajudar a imprimir panfletos, fazer estandartes ou garantir o transporte dos militantes.”



#ParaTodosVerem: Pessoas segundo um banner escrito em vermelho “Em cada escola, universidade, periferia” e em preto “Levante em luta”. As pessoas estão em cima de um palco e a foto em questão foi tirada durante o 4° Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude que aconteceu em novembro de 2024, na cidade do Rio de Janeiro.
O 4° Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude, realizado no Rio de Janeiro em novembro de 2024, buscou reforçar a mobilização em escolas e comunidades | Foto: Acervo pessoal Levante de Mariana

A pandemia representou um obstáculo significativo para o Levante, que, como muitos outros, precisou interromper suas atividades temporariamente. No entanto, com o tempo, a juventude voltou a ocupar seu espaço nas ruas e nas escolas, sinalizando vitalidade com suas reorganizações e novas ações. Um exemplo disso é a recente organização de uma batalha de rimas em Belo Horizonte, que destacou vários MCs de Mariana e abriu um diálogo sobre saúde e cultura juvenil. Lívia Estrella, participante do evento e do movimento, explica:


“Esse tipo de ação não apenas aproxima as pessoas da causa, mas também faz com que elas sintam que a luta é delas, que a indignação é compartilhada.”

Henry Zacarias, um dos Mcs que participou da batalha, descreve a experiência como uma fortificação de um sonho. Para ele, esses eventos ampliam horizontes e promovem discussões importantes sobre saúde e cultura juvenil, fomentando o pensamento crítico. Henry destaca como “tais experiências impactaram profundamente sua visão de mundo e reforçaram seus valores, identidades culturais e políticas.”


Na mesma linha de pensamento, Lívia compartilhou que antes de participar do Levante enxergava a política de maneira superficial, e que encontrou no movimento uma oportunidade para aprofundar seu entendimento sobre questões sociais. “Eu não sabia defender meu ponto de vista, minhas opiniões eram formadas com base na opinião da minha mãe e na opinião de vídeos que eu via no TikTok. A partir do momento que eu tive acesso ao primeiro evento do Levante, que foi a batalha de rimas, eu percebi que eu queria fazer parte do Levante, eles me deram um significado político, uma luz sobre o que eu queria seguir politicamente”. Para ela, o Levante é mais que um movimento; é um espaço de formação política e de construção de coletividade.


Graziele Martins, que também integra o movimento, ecoa esse sentimento ao afirmar que “a juventude é essencial para o futuro, temos que nos organizar e não deixar que façam da gente o que bem entender”. Ela conheceu o Levante através de uma amiga e logo se viu interessada em suas atividades ao participar de um acampamento. Graziele ressalta a importância de articular atividades como palestras, protestos, rodas de conversas e plenárias para alcançar e engajar mais jovens. Desafios como a falta de engajamento e o número reduzido de participantes são frequentes, mas o esforço coletivo é evidente: “Nós sempre fazemos nosso melhor, não deixando que a falta de recursos nos atrapalhe”, afirma.

O movimento busca conquistar mais jovens em Mariana. “Aqui na cidade, a juventude sabe que é menosprezada e explorada pelo sistema, mas também que algo precisa ser feito. Apresentamos a luta coletiva como saída, e ao conversar com as pessoas, elas reconhecem nossa indignação”, afirma Alexandre. Graziele completa esse pensamento destacando a necessidade de organizar eventos para permitir que os jovens se desenvolvam artisticamente, abordando não apenas rimas, mas também poemas, pinturas e trabalhos manuais.


A resistência promovida pelo Levante não se limita à falta de recursos ou adesão. Alexandre observa que a luta do Levante incomoda aqueles que se beneficiam das desigualdades: “Sabemos que a nossa forma de atuação sempre incomoda aqueles que estão lucrando com a fome dos outros e que esse pessoal tem muito mais recurso do que a gente para tentar fazer suas vontades prevalecerem.”


O caminho para ingressar no Levante está aberto a todos que desejam contribuir para a transformação social. Frequentar reuniões, participar de plenárias e manter-se atualizado politicamente são passos fundamentais recomendados por Graziele: “frequentando nossas reuniões, participando das plenárias, se atualizando politicamente e lutando a favor do povo no poder”.


Em 2025, o Levante Popular da Juventude diz que está mais fortalecido do que nunca. Ao planejar suas ações para o primeiro semestre de 2025, o movimento se prepara para enfrentar desafios e expandir seu impacto. Para acompanhar os próximos passos, siga o movimento nas redes sociais (@levantemariana).





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